sábado, 28 de agosto de 2010
Minha mais nova descoberta...
Sou um mosaico de vivências quebra-cabeçado que jamais conseguirei montar, digo isso mas continuo atrás da chave que me trancou as peças aqui dentro. Sempre continuarei. Recentemente entendi que qualquer forma de amar é tentar achar a chave e descobrir que algumas peças são repetidas, como um mosaico espelhado, e assim, mesmo percebendo que jogaram a chave fora, nos contentamos com essa maravilhosa mistura que é viver em dobro.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Convite e gosto...
Um gostinho do livro:
Vida em branco e preto - trecho - Dia
Caminhava em meio ao cheiro acre das ruas, sozinho por entre a gente, moendo-se e remoendo-me a todo o tempo, nada passava por sua cabeça senão aquele caminha, já rotinado, pelo qual andara e desandara inúmeras vezes e todas as outras coisas em que podia pensar. Esquecera-se, há muito, de olhar, passava os olhos por tudo o que o rodeava e não via nada além dos lítotes da vida, todas as dições e contradições que o encaravam. Perguntava-se por que, se em nada fixava a vista, mantinha-a aberta. Tentava fechá-la, tentara várias vezes durante o dia todo, todos os dias, porém sentia-se incapaz de fazê-lo, abléfaro. Nada escutava, ouvia apenas um ruído ao fundo, junto de meu chão, há anos a ruir sob meus pés, das pessoas inesgotáveis, sempre lho pareceram, fazendo seu trabalho inesgotável e passarem por nós, esgotados, desgostados, desgostosos. Nada lhe restava em mãos além de sua desvida, que apassara entre os cinco minutos de cada cigarro, único querer que nos era possível e, conseqüentemente, comum.
[...]
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Nu; Pluralizados ou Concordância; Cirandinha; Mal de Outono
Fazia frio em São Paulo...
A cidade carregava o cinza
dos sorrisos ou o contrário
e nada parecia brilhar mais
que os dejetos do cachorro de rua...
Não havia Lua ou Sol,
não havia...
Não havia quem fosse,
quem houvesse
e não haveria de existir quem-azul
ou branco...
Eu estava só...
Fazia frio em São Paulo,
não havia Lua ou Sol
e, de tudo mais doloroso,
não havia sequer a chuva,
não havia sequer você
***
Se não pudermos mais
estar no plural,
dá-me ao menos
o gosto dum último beijo,
pra que eu possa ter
singular lembrança
de um plural meu...
***
Cirandam as crianças
com um riso estampado no rosto...
Brincam belo bom bola...
Uma senhora os observa e sorri
seus pensamentos que,
de tão leves, quase não passam...
Ciranda a criancinha, vamos todos criançar,
dançar, correr, brincar...
A grama verde lhes roça os pés
e eles sentem-na...
É tudo tão simples e normal
que é bonito,
tudo tão cru, tão cu...
Eta vida besta, Drummond...
***
Andam com pressa, todos eles...
O Sol é quente e lhes queima
a fronte com gosto de dor...
Passam sempre sós,
levando sempre o Sol à testa
e nada mais, somente eles.
Há folhas e flores ao chão,
mortas de Outono e ninguém
repara na dor do rosa morrendo,
um homem toca gaita
e não vê o tanto que não é visto,
um homem...
Tentaram me vender bilhetes da loteria nacional...
Não os quis,
a sorte não se apresenta em bilhetes,
a mim a sorte nunca se apresentou...
Se viesse em bilhetes teria tirado
bilhete para a vida,
única sorte que tenho é viver...
Viver com todos os azares que tenho,
como o de ter que ouvir os carros
ou o homem tocar gaita...
Como o de ver que todos sofrem com o Sol
e nos é necessário o Sol...
*** *** ***
Lançamento do livro Baile de Máscaras
– Renato Mendes Oliveira:
Dia: 16/06/2010
Local: Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa - Praça da Liberdade, 21 - B. Funcionários - Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães - Horário: das 19h às 22h.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
A tus ojos
Aos seus olhos sou eu,
louco de tanto pensar...
Aos seus olhos sou seu,
louca de me imaginar...
só mais um a caminhar...
Aos seus olhos sou mão,
braços, peito... seu respirar...
Aos meus olhos é linda...
Aos meus olhos, infinda...
Faz meu mundo girar...
Aos sãos olhos sou louco,
aos meus olhos é pouco
perto de tanto amar...
----------
Nota: vou lançar um livro, assim que sair a data eu lhes passo.
Abraços!
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Relato

Correm os carros, a vida escorre,
recolho um fruto, folhas ao chão,
estou de luto, a vida morre
e me amanheço na escuridão...
O mundo queima no meu cigarro,
cinco minutos, tão fel-prazer,
amores brutos, um leve sarro,
riso amarelo que ninguém vê...
Meu bem querido, filho da dor,
vento no rosto, suor salgado,
de si deposto, canção sem cor,
lágrimas só, vem p'ro meu lado...
A água flui, a humanidade berra,
ninguém nos ouve, deem um porquê
para o que nos houve, que nos enterra...
Quem viu a Lua, e meu bem, cadê?
domingo, 28 de março de 2010
Ouro de tolo
bate em meu peito, absurdamente, um nada,
desde sempre este nada me ecoa,
e no eco deixado dói-me mais esta estrada...
Como uma flor que, de repente, morre,
levo minha vida, sempre perdido,
e em meio às perdas não sei o que ocorre
que ao perdê-las sinto não ter vivido...
Como um sino que, temeroso, dobra,
circulam momentos por minha cabeça
que quando descanso m'atacam de cobra,
logo não há quando os esqueça...
Como um pássaro que, choroso, canta,
a dor que eu tenho sempre insiste,
e da tristeza meu corpo já não levanta,
não vejo ninguém pois meu olhar é triste...
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
primeros versitos del nuevo año - un poquito sobre mí...
Meu coração bate sereno,
como não pertencesse a mim...
Eu levo a vida de jeito pequeno,
como fosse eu, de certa maneira, assim...
--
Continuaré, dáme tiempo, si us plau...
PS: no me pregunten por qué escribi todo en español si la propia poesía es en portugués, es apeñas cómo me vino a decir hoy...
como não pertencesse a mim...
Eu levo a vida de jeito pequeno,
como fosse eu, de certa maneira, assim...
--
Continuaré, dáme tiempo, si us plau...
PS: no me pregunten por qué escribi todo en español si la propia poesía es en portugués, es apeñas cómo me vino a decir hoy...
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